{"id":254,"date":"2020-08-11T12:53:40","date_gmt":"2020-08-11T15:53:40","guid":{"rendered":"https:\/\/portfolio.sitedeartista.com.br\/sobreasombra\/?p=254"},"modified":"2020-08-24T12:33:20","modified_gmt":"2020-08-24T15:33:20","slug":"um-outro-post-de-exemplo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portfolio.sitedeartista.com.br\/sobreasombra\/marisol-ribeiro\/um-outro-post-de-exemplo\/","title":{"rendered":"A \u00faltima esta\u00e7\u00e3o: Sem assunto 1"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00a0<em><strong>A \u00faltima esta\u00e7\u00e3o<\/strong>, a hist\u00f3ria de uma menina que se v\u00ea num trem para Paranapiacaba, lan\u00e7a uma instigante pergunta: o que acontece com as pessoas que perderam a sanidade antes de morrer?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vencedora do pr\u00eamio de melhor atriz do Festival de Cinema de Recife, a tamb\u00e9m terapeuta <strong>Marisol Ribeiro<\/strong> nos convida a acompanh\u00e1-la nessa viagem poss\u00edvel pela repeti\u00e7\u00e3o que nos assombra, em vida e na morte.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">N<\/span>\u00e3o existem pessoas na catedral.<\/p>\n\n\n\n<p>Dormir em um monumento hist\u00f3rico \u00e9 de uma malandragem que eu costumava chamar de coragem, mas agora vejo, que n\u00e3o existe nenhuma coragem nesse ato.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou com medo, me escondo atr\u00e1s de um santo velho, acho que Santa Isabel, n\u00e3o sei identificar, espero o guarda vestido de militar passar a corrente envolvendo a porta gigante de madeira pesada e, com o brilho do isqueiro, fa\u00e7o luz para te escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>Confiro o ticket que tiro ileso do meu bolso &#8220;Panapiacaba\u201d cadeira 5 as 6:11 da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Cadeira 5 me parece perto do maquinista, assim prefiro acreditar na esperan\u00e7a de sobreviv\u00eancia caso um desajuste de trilhos ocorra, foi assim que voc\u00ea me disse um dia, \u00e9 assim que vou fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua habilidade de escolher lugares aleat\u00f3rios para um encontro \u00e9 imensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Abro a bolsa para tirar um len\u00e7o largo, preto, de l\u00e3 falsa que comprei no caminho da esta\u00e7\u00e3o e de dentro dele cai uma chave, a chave de casa que pelo visto esqueci de deixar para Sabrina. Droga de mente atormentada a minha, droga de desorganiza\u00e7\u00e3o com as pequenas coisas, droga.<\/p>\n\n\n\n<p>Respiro fundo ao lembrar que, talvez,&nbsp; ela tenha uma c\u00f3pia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso me deixa um pouco mais tranq\u00fcila e ent\u00e3o acendo um cigarro amassado que veio junto com o len\u00e7o. Desfa\u00e7o minha culpa nas tragadas e penso em voc\u00ea&#8230;mas n\u00e3o no seu rosto, esse rosto eu n\u00e3o sei pensar. Penso nas suas m\u00e3os, partes importantes que te fazem ser quem \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Consigo sentir meu pesco\u00e7o pulsar, ele treme forte como se toda a minha circula\u00e7\u00e3o estivesse correndo uma maratona ol\u00edmpica. Procuro o rem\u00e9dio na carteira e conto os que me restam, s\u00e3o 18 os comprimidos ainda fechados, 18 dias e nada mais. Confesso que cogito deixa-los, encurtar a poss\u00edvel abstin\u00eancia seria inteligente ao seu ver, n\u00e3o seria? Me arrependo de ter feito essa pergunta a voc\u00ea, oq ir\u00e1 discorrer sobre isso me chateia, eu j\u00e1 sei.<\/p>\n\n\n\n<p>Um barulho de explos\u00e3o pequena toma o sal\u00e3o imenso desse lugar aqui, me encolho e, atenta, imagino se n\u00e3o existem mais pessoas como eu dormindo atr\u00e1s de imagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente um barulho, agora mais alto. O que vem depois \u00e9 um sil\u00eancio bruto. Percebo que os barulhos s\u00e3o das explos\u00f5es internas causadas nas madeiras devido ao aquecimento interno.<\/p>\n\n\n\n<p>Olho no rel\u00f3gio, 2:55 AM. Pego o len\u00e7o e o estiro no ch\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o sabe, mas eu consigo acordar se assim programar a minha mente. Voc\u00ea n\u00e3o sabe mas eu fiz tudo isso de uma maneira quase programada. Deito por cima das minhas m\u00e3os, mas logo as estiro para baixo do meu tronco, o cheiro de sangue ainda est\u00e1, e ele me enjoa um pouco, desde pequena sou assim. Respiro 3 vezes e tento bloquear da minha mente aquela viol\u00eancia toda. Fugir sempre esteve nos meus panos, quando eu era crian\u00e7a queria ir embora de todos os lugares que morava, s\u00f3 para criar um movimento original meu mas dessa vez, meu desejo \u00e9 voltar atr\u00e1s, eu queria&#8230;Penso na cidade e no trem que vai sair. Acho que durmo em menos de um minuto, mas mesmo assim continuo a falar, sem som, daquela forma faz\u00edamos antes de eu me perder de mim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A \u00faltima esta\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria de uma menina que se v\u00ea num trem para Paranapiacaba, lan\u00e7a uma instigante pergunta: o que acontece com as pessoas que perderam a sanidade antes de morrer? 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